As doenças peri-implantares são condições inflamatórias que acometem os tecidos ao redor dos implantes dentários, incluindo a mucosite peri-implantar e a peri-implantite. A mucosite é caracterizada por uma inflamação restrita aos tecidos moles, sendo considerada um quadro reversível quando diagnosticado e tratado precocemente. Já a peri-implantite é mais severa, pois envolve não apenas os tecidos moles, mas também o tecido ósseo adjacente, podendo comprometer a osseointegração e levar à perda do implante caso não haja intervenção adequada.
A principal causa dessas doenças é a placa bacteriana. Quando o paciente realiza higiene bucal correta e remove o biofilme de forma eficiente, os tecidos peri-implantares tendem a recuperar sua condição saudável. Entretanto, diversos fatores aumentam o risco para a instalação e progressão dessas patologias, como higiene inadequada, acúmulo de biofilme, histórico de periodontite, ausência de manutenção periódica, diabetes, consumo de álcool e tabagismo. Além disso, problemas técnicos como posicionamento incorreto do implante, sobrecontorno das próteses e excesso de cimento em próteses cimentadas também são considerados importantes indicadores de risco. Por isso, o diagnóstico correto e a orientação adequada ao paciente são essenciais para o sucesso do tratamento.
Clinicamente, a mucosite peri-implantar se manifesta por mucosa avermelhada, edemaciada e com sangramento à sondagem, podendo, em alguns casos, apresentar dor ou recessão gengival. A peri-implantite, por sua vez, apresenta inflamação mais intensa, com sangramento, perda da crista óssea alveolar e formação de bolsas peri-implantares iguais ou superiores a 5 mm. Para diagnosticar essas alterações, o dentista realiza um exame clínico minucioso, incluindo sondagem dos tecidos ao redor do implante para identificação de sangramento e profundidade de bolsas. Radiografias periapicais complementam o diagnóstico, permitindo avaliar a perda óssea.
O tratamento varia conforme a gravidade do caso e pode envolver terapias não cirúrgicas e cirúrgicas, associadas ou não ao uso de antimicrobianos. Entre as abordagens possíveis estão procedimentos ressectivos e regenerativos, sempre considerando a condição do osso e a resposta do paciente. A literatura reforça que tanto o diagnóstico precoce quanto a educação para higiene oral são pilares fundamentais para o sucesso terapêutico.
Sobre a relação entre sobrecarga oclusal e peri-implantite, ainda não há consenso absoluto. Contudo, pesquisas recentes indicam uma associação positiva entre a carga excessiva e a perda óssea ao redor dos implantes, especialmente quando já existe inflamação nos tecidos peri-implantares. Isso reforça a importância de acompanhar não apenas a higiene, mas também fatores mecânicos que podem comprometer a longevidade do implante.
A prevenção é baseada em um regime personalizado de controle e manutenção periodontal e peri-implantar, geralmente a cada seis meses. O paciente deve receber instruções específicas de higiene bucal, além de controlar fatores de risco como tabagismo e diabetes. A manutenção regular contribui para a estabilidade dos tecidos ao redor dos implantes e ajuda a manter baixos níveis de bactérias associadas às doenças periodontais e peri-implantares.
Fonte: Revista da APCD – Volume 77.3